O esporte mundial se despediu nesta sexta-feira, 17, de um de seus maiores nomes. Oscar Schmidt morreu aos 68 anos, em São Paulo, após ser internado às pressas devido a um mal-estar. O ex-jogador enfrentava complicações de saúde após uma cirurgia recente e convivia, desde 2011, com as sequelas de um câncer no cérebro.
Natural de Natal (RN), onde nasceu em 16 de fevereiro de 1958, Oscar iniciou sua trajetória no esporte pelo futebol, mas foi no basquete que construiu uma carreira lendária. A mudança para Brasília, ainda na adolescência, foi determinante para essa transição. Aos 16 anos, já defendia o Palmeiras, e, em 1977, passou a integrar a Seleção Brasileira principal, conquistando o título sul-americano.
Ao longo da carreira, Oscar construiu uma trajetória internacional sólida. Em 1979, foi campeão mundial interclubes pelo Sírio, desempenho que abriu portas para o mercado europeu. Na Itália, atuou por mais de uma década, acumulando quase 14 mil pontos. Já na Espanha, tornou-se referência técnica, a ponto de inspirar o livro “Jugar como Oscar”.
Conhecido como “Mão Santa”, o atleta encerrou sua carreira com impressionantes 49.737 pontos, marca que o colocou por muitos anos como o maior cestinha da história do basquete mundial. Em 2024, o recorde foi superado por LeBron James, que ultrapassou os 50 mil pontos. Ainda assim, Oscar mantém o posto de maior pontuador da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos.
Um dos episódios mais marcantes de sua trajetória ocorreu em 1984, quando recusou uma proposta do New Jersey Nets para seguir defendendo a Seleção Brasileira. Na época, a participação na NBA impediria sua atuação como amador pela seleção. A decisão permitiu que ele liderasse o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis.
Oscar disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos, entre 1980 e 1996. Em Seul-1988, teve uma de suas atuações mais memoráveis, anotando 338 pontos no torneio, incluindo um recorde de 55 pontos em uma única partida contra a Espanha. Após encerrar a carreira em 2003, passou a atuar como palestrante motivacional, compartilhando sua experiência com profissionais de alta performance.
Fora das quadras, enfrentou o câncer com a mesma disciplina que marcou sua carreira esportiva. Em 2022, chegou a anunciar a remissão da doença, mas sua saúde voltou a apresentar fragilidades recentemente. Na última semana, não pôde comparecer à homenagem no Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro por recomendação médica.
A homenagem foi recebida por seu filho, Felipe Schmidt, que destacou a trajetória vitoriosa do pai. Em 2013, Oscar foi incluído no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, reconhecimento máximo do esporte, mesmo sem ter atuado na NBA. Seu legado permanece como um dos mais grandiosos da história do basquete mundial.